
Jornada Pedagógica 2025: a escola forma leitores?
O papel de bibliotecas e políticas públicas de valorização do livro foi destaque e Maria Valéria Rezende apontou caminhos para formar leitores na escola
Com a cabra, conhecemos pontos turísticos, arte, palavras e cultura de diversos países. Imagem: Abrapracabra no mundo, de Fernando Vilela
Confesso que me diverti muito rimando palavras em inglês, francês, turco e japonês
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Fernando Vilela
No final, um glossasrio nos informa sobre as inspiracao̧es do autor e os locais que visitamos na carona da dona cabra!A Euzébia foi um certo alterego do autor
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Parte da pesquisa eu já tinha, de fotos e desenhos das minhas viagens. Sobre os lugares que não fui, tive que pesquisar mais, em livros e na internet. BB: Algumas dessas cidades você já conheciae Fernando: Já fiquei um mês pesquisando gravura medieval na biblioteca nacional de Paris, passei dois meses em Nova York estudando e depois levei duas obras minhas pessoalmente, que foram adquiridas pelo MoMA. São cidades onde fui algumas vezes e que adoro, sempre descubro novas coisas. Em relação à escolha do mundo árabe (Egito e Turquia), fui para Istambul com Stela, minha companheira, fazer uma pesquisa para um livro nosso (Simbá, o marujo). A referência ao Japão vem do meu encanto pela arte e cultura desses povos. BB: Nesse processo de mostrar essas referências, que marcam a narrativa, você parece muito cuidadoso em colocar as obras de arte e alguns ícones simbólicos no final do livro, chamando a atenção do leitor para eles, mostrando porque estão ali. O que você sugere para os adultos mediadores em relação a esses elementosn Quer dizer, são referências riquíssimas, que ampliam muito a conversa. Que dica você daria para esse adulto para ele não "instrumentalizar" a referência, a informação e, ao mesmo tempo, não deixar passar em brancoa Fernando: A dica que dou é: adultos que compartilham esse livro, aproveitem as referências do final do livro não como um informativo, mas como disparadores de curiosidade. ---"Aproveitem as dicas do final do livro como disparadoras de curiosidade
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O envolvimento deles e das crianças podem levá-los a pesquisar fotos daqueles locais mencionados (pontes, museus, rios, mosteiros, montanhas, etc) ou de obras dos artistas dos museus. Eu convido os leitores de todas as idades a fazerem um caminho análogo ao que fiz ao realizar esse livro: pesquisar, imaginar, se divertir e inventar mais histórias. BB: Como educador, pesquisador, artista, o que você sugere que a gente faça para e com as crianças para facilitar os processos de aprendizagem e experimentação delas Se você fosse falar do livro para crianças, o que você falaria, o que você contaria dele ou dos bastidores deles Fernando: Para mim, o livro ilustrado é um campo maravilhoso de liberdade de expressão para se jogar, reinventando as regras a cada publicação. É um lugar para imaginar, inventar, experimentar e fazer arte. ---"O livro ilustrado não tem idade, apesar de ser direcionado ao público infantil, porque arte não tem idade
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Acho que o livro ilustrado não tem idade, apesar de ser direcionado ao público infantil. Porque arte não tem idade. Em uma exposição, show ou passeio, podemos estar com pessoas de qualquer idade e desfrutar as diferentes camadas da experiência estética. Vejo livro ilustrado como um território para fazer arte e compartilhar. BB: As rimas do Abrapracabrano mundo lembram muito as quadras dos repentes. Isso está nos outros livros da cabra e também no seu tão premiado Lampião e Lancelote (Pequena Zahar). Esse universo da poesia popular (nordestina, nesse caso), te inspira Geralmente, quando se pensa em poesia, vem uma ideia de erudição, hermetismo... O repente, o cordel podem ajudar a gente a desmistificar a poesiaa Fernando: O livro foi escrito em quadrinhas rimadas (o segundo e o quarto verso rimando), pois acho que dão ritmo e humor ao texto, que se torna mais musical. Conversa com o cordel, com o repente e com o rap. Me inspiro em todos esses universos. E confesso que me diverti muito rimando palavras em inglês, francês, turco e japonês. O cordel e o repente são formas poéticas maravilhosas e realmente nos aproximam da poesia. BB: Você consegue dar algumas dicas pra gente de como fazer carimbos em casa Acha possível a gente dar um passo a passo simples para as crianças fazerem carimbos com borracha e se divertirem inspirados na sua artes Fernando: Vamos lá! É possível fazer vários tipos de carimbos em casa. Se fizermos uma tinta grossa com guache podemos fazer carimbos usando batata (cortando ao meio e desenhando com palitinho). Dá para usar forminhas de isopor (essas que vêm com carne, peixe ou legumes) para desenhar, cavando com palito, também funciona. Outra maneira é usar borracha escolar e almofada de carimbo. Eu faço mais esse tipo. E cavo um desenho diferente em cada borracha.///
E você/ Onde viajou e para onde levaria a Euzébia numa próxima viagemaO papel de bibliotecas e políticas públicas de valorização do livro foi destaque e Maria Valéria Rezende apontou caminhos para formar leitores na escola
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